sábado, 26 de dezembro de 2009

Um Conto de Natal

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Tudo começou porque Mike odiava o Natal.

Claro que não odiava o verdadeiro sentido do Natal, mas seus aspectos comerciais.
Os gastos excessivos, a corrida frenética na última hora para comprar presentes para alguém da parentela de que se havia esquecido.

Sabendo como ele se sentia, um certo ano a esposa decidiu deixar de lado as tradicionais camisetas, casacos, gravatas e coisas do gênero. Procurou algo especial só para Mike. A inspiração veio de uma forma um tanto incomum.

O filho Kevin, que tinha 12 anos na época, fazia parte da equipe de luta livre da sua escola. Pouco antes do Natal, houve um campeonato especial contra uma equipe patrocinada por uma associação da parte mais pobre da cidade.

Esses jovens usavam tênis tão velhos que a impressão que passavam é de que a única coisa que os segurava eram os cadarços. Contrastavam de forma gritante com os outros jovens, vestidos com impecáveis uniformes azuis e dourados e tênis especiais novinhos em folha.

Quando o jogo acabou, a equipe da escola de Kevin tinha arrasado com eles. Foi então que Mike balançou a cabeça, triste, e falou: queria que pelo menos um deles tivesse ganhado. Eles têm muito potencial, mas uma derrota dessas pode acabar com o ânimo deles.

Mike adorava crianças. Todas as crianças. E as conhecia bem, pois tinha sido técnico de times mirins de futebol, basquete e vôlei.

Foi aí que a esposa teve a idéia.

Naquela tarde, foi a uma loja de artigos esportivos e comprou capacetes de proteção e tênis especiais e enviou, sem se identificar, para a associação que patrocinava aquela equipe.

Na véspera de Natal, deu ao marido um envelope com um bilhete dentro, contando o que tinha feito e que esse era o seu presente para ele.
O mais belo sorriso iluminou o seu rosto naquele Natal.

No ano seguinte, ela comprou ingressos para um jogo de futebol para um grupo de jovens com problemas mentais.

No outro, enviou um cheque para dois irmãos que tinham perdido a casa em um incêndio na semana anterior ao Natal.

O envelope passou a ser o ponto alto do Natal daquela família. Os filhos deixavam de lado seus brinquedos e ficavam esperando o pai pegar o envelope e revelar o que tinha dentro.

As crianças foram crescendo. Os brinquedos foram sendo substituídos por presentes mais práticos, mas o envelope nunca perdeu o seu encanto.

Até que no ano passado, Mike morreu.

Chegou a época do Natal e a esposa estava se sentindo muito só. Triste. Quase sem esperanças. Mas, na véspera do Natal, ela preparou o envelope como sempre.

Para sua surpresa, na manhã seguinte, havia mais três envelopes junto dele. Cada um dos filhos, sem um saber do outro, havia colocado um envelope para o pai.






O verdadeiro espírito do Natal é o amor.

Que nesta época, pelo menos, possamos exercitar nossa capacidade de doação.

Muito além dos presentes, da ceia, do encontro familiar, comemorar o Natal significa viver a mensagem do divino aniversariante, lançada há mais de 2000 anos e que até hoje prossegue ecoando nos corações...


(Fonte Mensagens e Poemas - http://mensagensepoemas.uol.com.br/natal/um-conto-de-natal-5.html)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Oração dos Brasileiros

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Senhor, tende piedade de nós

Pelo Marcos Valério e o Banco Rural

Pela casa de praia do Sérgio Cabral

Pelo dia em que Lula usará o plural


Senhor, tende piedade de nós!


Pelo nosso Delúbio e Valdomiro Diniz
Pelo "nunca antes nesse país"

Pelo povo brasileiro que acabou pedindo bis

Senhor, tende piedade de nós!

Pela Cicarelli na praia namorando sem vergonha

Pela Dilma Rousseff sempre tão risonha

Pelo Gabeira que jurou que não fuma mais maconha


Senhor, tende piedade de nós!


Pelo casal Garotinho e sua cria

Pelos pijamas de seda do "nosso guia"

Pela desculpa de que "o presidente não sabia"


Senhor, tende piedade de nós!


Pela jogada milionária do Lulinha com a Telemar

Pelo espírito pacato e conciliador do Itamar
Pelo dia em que finalmente Dona Marisa vai falar

Senhor, tende piedade de nós!


Pela "queima do arquivo" Celso Daniel
Pela compra do dossiê no quarto de hotel
Pelos "hermanos compañeros" Evo, Chaves e Fidel


Senhor, tende piedade de nós!


Pelas opiniões do prefeito César Maia

Pela turma de Ribeirão que caía na gandaia

Pela primeira dama catando conchinha na praia


Senhor, tende piedade de nós!


Pelo escândalo na compra de ambulâncias da Planam

Pelos aplausos "roubados" do Kofi Annan

Pelo lindo amor do "sapo barbudo" por sua "rã"

Senhor, tende piedade de nós!

Pela greve de fome que engordou o Garotinho

Pela Denise Frossard de colar e terninho

Pelas aulas de subtração do professor Luizinho


Senhor, tende piedade de nós!


Pela volta triunfal do "caçador de marajás"

Pelo Duda Mendonça e os paraísos fiscais

Pelo Galvão Bueno que ninguém agüenta mais


Senhor, tende piedade de nós!


Pela eterna farra dos nossos banqueiros

Pela quebra do sigilo do pobre caseiro
Pelo Jader Barbalho que virou "conselheiro"

Senhor, tende piedade de nós!


Pela máfia dos "vampiros" e "sanguessugas"

Pelas malas de dinheiro do Suassuna

Pelo Lula na praia com sua sunga


Senhor, tende piedade de nós!


Pelos "meninos aloprados" envolvidos na lambança

Pelo plenário do Congresso que virou pista de dança
Pelo compadre Okamotto que empresta sem cobrança

Senhor, tende piedade de nós!

Pela família Maluf e suas contas secretas

Pelo dólar na cueca e pela máfia da Loteca

Pela mãe do presidente que nasceu analfabeta


Senhor, tende piedade de nós!


Pela eterna desculpa da "herança maldita"

Pelo "chefe" abusar da birita

Pelo novo penteado da companheira Benedita


Senhor, tende piedade de nós!


Pela refinaria brasileira que hoje é boliviana

Pelo "compañero" Evo Morales que nos deu uma banana

Pela mulher do presidente que virou italiana


Senhor, tende piedade de nós!


Pelo MST e pela volta da Sudene

Pelo filho do prefeito e pelo neto do ACM

Pelo político brasileiro que coloca a mão na "m"

Senhor, tende piedade de nós!

Pelo Ali Babá e sua quadrilha

Pelo Gushiken e sua cartilha

Pelo Zé Sarney e sua filha


Senhor, tende piedade de nós!


Pelas balas perdidas na Linha Amarela

Pela conta bancária do bispo Crivella

Pela cafetina de Brasília e sua clientela


Senhor, tende piedade de nós!


Pelo crescimento do PIB igual do Haití

Pelo Doutor Enéas e pela senhorita Suely

Pela décima plástica da Marta Suplicy


Senhor, tende piedade de nós!


Para que possamos ter muita paciência

Para que o povo perca a inocência

E proteste contra essa indecência

Senhor, dai-nos a paz!

(Autor desconhecido - Recebido por email)

Ah, como este tempo corre...

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2009 já agoniza e morre.

Inexorável, vai a vida se arrastando.

2010 está quase começando:

Ah, como este tempo corre...

Por entre os dedos, a própria vida escorre.

Tento retê-la, com a ajuda da memória.

Conto e reconto a minha própria história:

Ah, como este tempo corre...

Outro Natal, é outro ano que decorre.

E eu, me vendo outra vez criança,

Vivo e revivo coisas na minha lembrança:

Ah, como este tempo corre...

Uma saudade, o meu coração percorre.

Faz-me lembrar, com uma dor ingente,

De outros natais, eu ainda adolescente:

Ah, como este tempo corre...

Também me lembro, que a inocência morre,

De tantas coisas que eu planejei fazer,

Desnecessária essa urgência de crescer:

Ah, como este tempo corre...

Neste Natal, talvez eu tome um porre.

Ou erga um brinde, na verdade, sem beber,

Pelo que fui ou que deixei de ser:

Ah, como este tempo corre...

(Wagner Pessôa)

domingo, 20 de dezembro de 2009

Lula "O filho do Brasil" (2)

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Para que se consuma o novo dicionário da sordidez política brasileira, necessário se torna conhecer, a fundo, em todas as dimensões, o seu autor, personagem central de sua própria propaganda político-eleitoreira. O autoendeusamento torna-o réu confesso do desequilíbrio de que acima nos referimos. Considerar-se a si próprio Filho do Brasil, é exigir a legítima paternidade, a um país que já sofreu todos os vexames do filho que não passa de um bastardo. Como se não bastassem as ofensas de sua diplomacia, ofende-se mais ainda a nação, anunciando a sordidez de cobrar do país a herança que acredita ter direito e pretende obtê-la, através da delegação de poderes de seus iguais, nas urnas em 2010. É mais uma indenização cobrada ao país, considerado culpado pelo filho ilegítimo, pela tendência inata de sua família, de não ter vocação para o trabalho. O filme que ilustra a vida do responsável pela obra de estropiamento da língua, “coincidentemente” será levado à exibição em 1º de janeiro de 2010.

Regredimos ao populismo desenfreado do brizolismo e percebemos, claramente, a existência de dois Brasis: o que trabalha e estuda para o desenvolvimento nacional e o que vive de estelionato político, sorvendo os impostos pagos pelo primeiro dos Brasis. Em toda imoralidade, encontra-se a logomarca da Globo, que não pode perder dividendos, mesmo que seja patrocinando um retorno aos filmes da velha fase macunaímica da miséria colorida. Não há outro digno representante desse (para mim) repugnante personagem (Macunaíma) da baixa estima brasileira, criação de Mário de Andrade, que o etílico Lula.

Alguém da escória da personagem do filme em questão deve ter sido o idealizador do título e da narrativa. O embriagado de álcool e de poder tomou posse do Brasil e está alijando, aos poucos, a parte consciente da sociedade, mas ainda sonolenta, para os esconsos vãos que se tornarão guetos dentro em pouco, se não tomarmos uma veemente atitude. Já imagino esse filmeco sendo veiculado no agreste, nos sertões, arrebanhando os ingênuos e estimulando-os ao analfabetismo, à bebida e à rebelião. A pressão para um conflito entre brasileiros está se fazendo prenunciar no horizonte. Esta indecencia de filme, se consentirmos, se não reagirmos, se não clamarmos contra a mídia que lhe dará vida, poderá servir de estopim para tomadas de posição sérias que não vão deixar de fora a guarda particular do ébrio presidente: o MST.

Como dizem os traficantes do Rio, "está tudo dominado". Eles sabem o que dizem, infelizmente. Tudo está dominado, porque está corrompido pelo dinheiro fácil em troca da traição e da sabotagem. Apenas por patriotismo, sem levarmos nenhuma vantagem, porque pertencemos a outro grupamento ético, que não leu o glossário lulista, sabotemos o filmeco do "palhaço de Garanhuns", desde já, para que, no ato da divulgação, caia no ridículo o Filho bastardo do Brasil, que bem poderia ser o Filho de outra coisa que já sabemos o que é. Embora não pareça, o caldeirão da divisão de classes já começou a esquentar. Como não tem a coragem de seu comparsa Chávez e é um poltrão como o Zelaya, usa desses artifícios ultrapassados, mas que caem como uma luva sobre a multidão de ignorantes do interior do país.

(Aileda de Mattos Oliveira - Prof.ª Dr.ª de Língua Portuguesa - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

sábado, 19 de dezembro de 2009

Frase da Semana

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"O pior atentado que se pode cometer contra Lula, além de alvejá-lo com um Mortífero Dicionário,é atirar-lhe uma Carteira de Trabalho".

(Esperidião Amim - ex-governador SC)

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sábado, 12 de dezembro de 2009

Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!!

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Obrigada a todos vocês, que me honraram com as suas visitas e comentários, fazendo com que o Hora do Recreio seja hoje um blog bem acima das minhas expectativas.

Desejo a todos um Feliz Natal e que o ano de 2010 seja pleno de paz, saúde, felicidade e conquistas.

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Fadiga - Cecília Mireles

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Estou cansada, tão cansada
Estou tão cansada! que fiz eu?
Estive embalando, noite e dia,
um coração que não dormia
desde que seu amor morreu

Eu lhe dizia: "Deixa a morte
levar teu amor! Não faz mal
É mais belo esse heroísmo triste
de amar uma coisa que existe
só para morrer, afinal!

"Deixa a morte... não chores...dorme!"
Noite e dia eu cantava assim
Mas o coração não falava;
chorava baixinho, chorava,
mesmo como dentro de mim

Era um coração de incertezas,
feito para não ser feliz;
querendo sempre mais que a vida -
sem termo, limite, medida,
como poucas vezes se quis

O tempo era ríspido e amargo
Vinha um negro vento do mar
Tudo gritava, noite e dia,
e nunca ninguém ouviria
aquele coração chorar

Uma noite, dentro da sombra,
dentro do choro, a sua voz
disse uma coisa inesperada,
que logo correu, derramada
num silêncio fino e veloz

"Meu amor não morreu: perdeu-se
Ele existe. Eu não o quero mais"
O choro foi levando o resto
Eu nem pude fazer um gesto,
e achei as horas desiguais

E achei que o vento era mais forte,
que o frio causava aflição;
quis cantar, mas não foi preciso
E o ar estava muito indeciso
para dar a vida a uma canção

A sorte virara no tempo
como um navio sobre o mar
O choro parou pela treva
E agora não sei quem me leva
daqui para qualquer lugar,

onde eu não escute mais nada,
onde eu não saiba de ninguém,
onde deite minha fadiga
e onde murmure uma cantiga
para ver se durmo também
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Estou Velho

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Não gosto dos sem terra. Dizem que isto é ser reacionário, mas não gosto de vê-los invadindo fazendas, parando estradas, ocupando linhas de trens, quebrando repartições públicas, tentando parar o lento progresso do Brasil.

Estou velho.

Não acredito em cotas para negros e índios. Dizem que sou racista. Mas para mim racista é quem julga negros e índios incapazes de competir com os brancos em pé de igualdade. Eu acho que a cor da pele não pode servir de pretexto para discriminar mas também não devia ser fonte para privilégios imerecidos provocando cenas ridículas de brancos querendo se passar por negros.

Estou velho.

Não sei se embrião tem vida ou não. Mas mesmo que tivesse não teria o menor remorso em sacrificar vários que certamente serão jogados no lixo para salvar ou melhorar uma única vida de um jovem, de um preto, de um índio e ate mesmo de um velho.

Estou muito velho.

Não quero ouvir mais noticias de pessoas morrendo de dengue. Tapo os ouvidos e fecho os olhos mas continuo a ouvir e ver. Não quero saber de crianças sendo arrastadas em carros por bandidos, ou de um menininha jogada pela janela em plena flor de idade. Meu coração não tem mais força para sentir emoções.

Estou mais velho que o Oscar Niemeyer.

Ele ainda acredita em comunismo, coisa que deixou de existir. Eu não acredito em nada. Estou cansado de quererem me culpar por não ser pobre, por ter casa, carros, e outros bens todos adquiridos com honestidade, por ser amado por minha mulher e filhos. Nada mais me comove…

Estou bem envelhecido.

E acabo de cometer mais um erro! Ainda sou capaz de me comover e emocionar.

(Afrânio B. De Souza - Fonte: rafaelsanches.wordpress.com)

Radiografia de uma fraude

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A secretária virou ministra porque Lula aprovou a sugestão de Lula

Doutor em Física, com mestrado em Engenharia Nuclear, coordenador do grupo que fixou as metas do setor de minas e energia no programa do candidato do PT, o professor Luiz Pinguelli Rosa já escolhera o terno para a festa da posse quando soube que fora preterido. Por motivos ignorados tanto pelo quase ministro quanto pelos demais integrantes da equipe de transição acampada no Centro de Treinamento do Banco do Brasil, em Brasília, a vaga no primeiro escalão foi presenteada a Dilma Rousseff, secretária de Minas e Energia do Rio Grande do Sul.

O que teria levado o dono do time a alterar a escalação minutos antes da entrada em campo?, intrigaram-se os Altos Companheiros. Lula se instalara havia semanas no gabinete presidencial quando se dispôs a desvendar o mistério. “Já no fim de 2002, apareceu lá uma companheira com um computadorzinho na mão”, contou com a placidez de quem está narrando uma história para crianças. era o Centro de Treinamento do BB. “Começamos a discutir e percebi que ela tinha um diferencial dos demais, porque ela vinha com a praticidade do exercício da secretaria. Aí eu fiquei pensando: acho que já encontrei a minha ministra”.

Simples assim. Se Dilma Rousseff fora secretária do governador Olívio Dutra, ponderou Lula ao presidente eleito, por que não promover a companheira do computadorzinho a ministra? Boa ideia, concordou com Lula o presidente eleito. O maior governante desde a chegada das caravelas entende de minas e energia tanto quanto entende de gramática e ortografia. Dilma Rousseff não entende do assunto muito mais que o chefe. Do que trataram nas conversas a dois? O que teria ouvido Lula para julgar dispensáveis consultas a especialistas no ramo e pedidos de informações a quem convivera de perto com Dilma?

Ela se limitou a duas frases ao referir-se à conversa numa entrevista em 2077: “O presidente perguntou como tinha sido o apagão do Fernando Henrique no Rio Grande do Sul, e eu contei que lá não teve apagão”. Mitômanos, quando não mentem simplesmente, contam só um pedaço da verdade. Sim, os gaúchos não foram submetidos ao racionamento de energia imposto em 2001. Nem os catarinenses e os paranaenses, deixou Dilma de dizer. Como não faltaram chuvas, tampouco faltou água nos reservatórios da hidrelétricas da região sul. Os três Estados escaparam das medidas de emergência não pela competência dos secretários, mas pela clemência da natureza.

Sem chances de concorrer com quem derrotou até o apagão, Pinguelli conformou-se com a presidência da Eletrobrás. Caiu fora em pouco tempo para não continuar exposto ao mau humor da ministra. “Essa moça formata o disquete a cada semana”, ironiza. Para permanecer no emprego, teria de engolir pitos sem engasgos, soluços nem queixumes, como aprendeu a fazer Mauricio Tolmasquim. Quando aceitou ser o secretário-executivo do ministério, ele mal conhecia a escolhida por Lula. Semanas depois da posse, Dilma já estava à vontade para trocar o tratamento cerimonioso por gritos e repreensões. “É o jeito dela, não é pessoal”, conforta-se Tolmasquim. ”Em cinco minutos, fica tudo bem”.

“Nunca tive simpatia pela maneira como Dilma trata as pessoas”, diz o professor Ildo Sauer, demitido pela ministra da Diretoria de Gás e Energia da Petrobras. “Ela não conversa, só dá ordens. Mas é um doce com quem está acima dela”. Como a guerrilheira obediente aos comandantes dos grupos clandestinos, como a mulher dócil no trato com os maridos, como a secretária que nem piava nas reuniões do governo gaúcho, a ministra sempre sabe com quem está falando. Sabe, portanto, a hora do grito e a hora do sussurro.

Num e-mail endereçado aos amigos, Sauer confessou que foi uma das vítimas do conto da Unicamp. No fim de 2002, os integrantes do grupo de energia do Instituto Cidadania, do PT, entregaram à direção da entidade os currículos atualizados. Sauer leu o apresentado por Dilma e conferiu o ponto mais vistoso: tinha mesmo concluído o curso de doutorado?, perguntou. Diante da resposta positiva, quis saber se a doutora toparia participar da banca que examinaria a tese de um candidato a doutor. “Não tenho tempo para essas coisas”, recusou com rispidez a convidada.

“Hoje compreendo”, disse Sauer na mensagem pela internet. “O desprezo e o desdém eram ferramentas para encobrir a impostura… Há outras”. Quais seriam? Sauer não quer divulgá-las agora. “O que já se sabe é suficiente para mostrar que Dilma não é nada do que se imaginava”, explica. É só uma fraude.


(Fonte: Direto ao Ponto – Blog de Augusto Nunes - 8/12/2009)